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Somente nos EUA que todo negro é suspeito?

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Foto: RAOOS Irie

Há uma semana, todos acompanham horrorizados os casos de trabalhadores negros mortos por policiais nos EUA.

O primeiro caso foi o de Castile, 32 anos, assassinado quando pegava sua carteira de motorista no carro, em Minnesota, e teve repercussão mundial por ter sido transmitido ao vivo pela rede social de sua namorada, que se encontrava no mesmo veículo no momento do crime. O segundo caso foi o do Alton Sterling, assassinado em Louisiana quando vendia DVDs e CDs no estacionamento de uma loja de conveniência. O homicídio veio a público após postarem vídeos que mostram o policial imobilizando-o totalmente e, depois, disparando vários tiros.

Infelizmente, esses casos retratam como o racismo ainda segue forte nos EUA. Apesar de haver um avanço social significativo, principalmente, em decorrência das lutas travadas pela libertação dos negros americanos nos anos 50 e 60 do século XX por organizações importantes como os Panteras Negras, há hegemonia branca ainda de estrutura escravista na conformação do estado e das classes. Uma delas é a instituição policial, que continua presumindo que os afroamericanos são perigosos, até mesmo depois de vivenciarem 8 anos de um governo de um presidente negro e com família afroamericana.

Ainda que os EUA e o Brasil possuam diferenças históricas, sociais e econômicas, assemelham-se pelo fato de terem sido erguidos com mão de obra negra escrava, constituindo estruturas racistas de poder, que se manifestam, por exemplo, nesse extermínio racial e na perseguição a religiões de origens africanas.

Nos últimos dez anos, as políticas de igualdade racial proporcionaram avanços para a população negra no Brasil. A implementação de políticas afirmativas de cotas no ensino superior, a obrigatoriedade do ensino da história e cultura africana e afro-brasileira na educação regular, a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial em 2010, a reserva de 20% das vagas em concursos públicos da administração direta e indireta da União para negras e negros, além de criação de mecanismos de denúncia de racismo são alguns exemplos de ações bem sucedidas no sentido de combater essa desigualdade.

Todas estas conquistas, apesar de recentes, são procedentes da luta do movimento negro no Brasil, e muitas delas tiveram impacto significativo na vida da população negra. Porém, muita luta ainda precisa ser feita.

Uma delas é o combate do racismo presentes nas forças de repressão do estado, que, não muito diferente dos EUA, também acreditam que qualquer cidadão negro ou cidadã negra é motivo de suspeita. Casos que retratam esse tipo de pensamento não faltam aqui no Brasil. Conforme o Mapa da Violência, um jovem negro é morto a cada 23 minutos. Exemplos são os casos ocorridos no Rio de Janeiro: Amarildo, torturado e morto por PMs e que teve seu corpo desaparecido; Claudia, que ao ser morta numa operação da PM, foi colocada já sem vida no porta malas de uma viatura policial e teve seu corpo arrastado no asfalto; mais recentemente, o adolescente Jhonata, 16 anos, morto por PMs por suspeitarem que carregava drogas.  Em Sergipe, o caso de David Felipe, 17 anos, morto por PMs no Parque dos Faróis, em Aracaju. Isso sem contabilizar o sem-número de outros assassinatos em supostas “troca de tiros”.

Diante dessas situações, além de reformas institucionais para promoção da igualdade racial, evidencia-se a necessidade de se enfrentar também a discussão sobre a desmilitarização da polícia militar. Porém, pouco tem sido feito para mudar essa realidade, permitindo assim a banalização das tragédias cometidas pela polícia e aumentando a sensação que os órgãos de segurança podem continuar o derramamento de sangue do povo negro.

Este é o triste retrato do cotidiano da população negra no Brasil, que ano após ano vem perdendo seus entes queridos, suas crianças e jovens para a violência, caracterizando o que o movimento negro tem chamado de genocídio da sua população. Enquanto isso, ainda há quem diga que os brasileiros viveriam numa democracia racial, ou que no Brasil, país tão miscigenado, não existiria preconceito contra negros e negras.

Camisetaria

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